Escola alagada, mofo, larvas nos banheiros e pombos no refeitório: Escola Thereza Silveira Mello expõe anos de abandono
Após pais se mobilizarem nesta quinta-feira (19), Prefeitura
suspende aulas e anuncia ensino remoto; caixa d’água estourou recentemente e
agravou quadro estrutural
Não foi uma vistoria técnica programada que desencadeou a
reação do poder público. Foi a mobilização de pais indignados. Nesta
quinta-feira, 19 de fevereiro, responsáveis por alunos da Escola Municipal
Professora Thereza Silveira Mello, na Vila São Miguel, decidiram ir até a
unidade exigir providências. Horas depois, a Prefeitura de Itapeva, por meio da
Secretaria Municipal da Educação, divulgou nota suspendendo as aulas
presenciais e anunciando atividades remotas até 6 de março.
O que motivou a cobrança não foi um episódio isolado, mas um
acúmulo de problemas estruturais que se arrastam há anos. Recentemente, uma
caixa d’água instalada no teto da escola estourou, provocando o transbordamento
de água para dentro das salas de aula. O resultado foi imediato: paredes
úmidas, mofo visível e um cheiro forte que, segundo relatos, se espalhou por
toda a escola. Não se trata apenas de desconforto — mofo em ambiente fechado é
risco à saúde, especialmente para crianças.
A infiltração, segundo mães, já vinha sendo registrada há
vários dias antes mesmo do rompimento da caixa d’água. Salas alagadas,
funcionários passando rodo durante o expediente para conter o acúmulo de água
no piso e evitar acidentes. Nos banheiros, foram encontrados corós e outras
larvas, cenário que escancara a precariedade sanitária. No refeitório, pombos
instalados no telhado sujam justamente o espaço onde os alunos fazem as
refeições.
É impossível tratar o episódio como fatalidade. Problemas
estruturais não surgem da noite para o dia. Eles se acumulam quando a
manutenção preventiva é negligenciada. Férias passam, recessos se sucedem e
nenhuma intervenção estrutural definitiva é realizada. O que deveria ser
período de revisão e reparo transforma-se em tempo perdido. Quando as aulas
retornam, os defeitos permanecem — muitas vezes agravados.
Somente após a ida dos pais à escola, nesta quinta-feira,
veio a resposta formal. A Secretaria de Educação informou a suspensão das aulas
nesta sexta-feira (20) e anunciou que, de 23 de fevereiro a 6 de março, o
ensino ocorrerá de forma remota, por meio do WhatsApp, enquanto serão
realizados manutenção, reparos e desinfecção das dependências da unidade. A
medida evita que as crianças continuem expostas ao ambiente insalubre, mas não
apaga o histórico de descaso.
Educação começa pelo básico: estrutura segura, ambiente
limpo e condições dignas de permanência. Não há projeto pedagógico que resista
a teto estourando, mofo nas paredes e larvas nos banheiros. O episódio da
Thereza Silveira Mello é mais do que uma ocorrência administrativa. É um
retrato de como a ausência de manutenção contínua cobra seu preço. Pais
cumpriram seu papel ao reivindicar. Agora, cabe ao poder público demonstrar que
aprendeu a lição — e que a escola deixará de ser palco de improviso para voltar
a ser espaço de respeito.
Confira a NOTA divulgada na página oficial no facebook da Educação e ao lado o comentário da secretária responsável, Sra. Geni Muzel.


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