Quanto custa para a população manter a Câmara de Itapeva: vereadores recebem R$ 9,9 mil e presidente ganha R$ 10,8 mil
Folha salarial do Legislativo, divulgada por força
constitucional, detalha vencimentos de servidores efetivos, cargos
comissionados e agentes políticos
A Câmara Municipal de Itapeva publicou nesta sexta-feira, 30 de janeiro, no Diário Oficial do Município, a relação completa
das remunerações dos cargos que integram sua estrutura administrativa e
política, em cumprimento ao § 6º do artigo 39 da Constituição Federal. O
documento, com situação válida a partir de 1º de janeiro de 2026, escancara
quanto custa manter o Legislativo local e expõe, cargo a cargo, os valores
pagos com recursos públicos — informação essencial para qualquer cidadão que
queira compreender o funcionamento e o peso da máquina legislativa.
No topo da folha salarial entre os servidores efetivos está
o cargo de Coordenador Financeiro e Contábil, com remuneração mensal de R$
9.427,64 para jornada de 40 horas semanais. Logo abaixo aparecem funções
estratégicas como Contador, Analista de Recursos Humanos, Jornalista
Legislativo e Subcoordenador de Apoio Parlamentar, todos com vencimentos de R$
8.380,12. O cargo de Procurador Jurídico, também efetivo, recebe o mesmo valor,
porém com carga horária reduzida para 20 horas semanais.
A faixa intermediária da estrutura administrativa concentra
salários entre R$ 6 mil e R$ 7 mil. Analistas Jurídicos, Oficiais de Compras,
Programador Web e Agente Técnico Legislativo recebem R$ 6.983,45. Motoristas e
condutores de veículos têm salário fixado em R$ 6.517,88, enquanto encarregados
de zeladoria e assistentes de compras recebem R$ 6.110,52. São cargos
operacionais que garantem o funcionamento cotidiano da Casa, longe das disputas
políticas, mas fundamentais para a engrenagem institucional.
Na base da pirâmide salarial aparecem funções como
recepcionista, telefonista, vigia e técnicos de informática e de imagem e som,
com vencimentos que variam entre R$ 3.200,73 e R$ 4.888,41, conforme a carga
horária. É nesse estrato que se concentram os menores salários do Legislativo
municipal, evidenciando o contraste interno da folha de pagamento.
A publicação oficial também evidencia o peso dos cargos em
comissão, ocupados por livre nomeação. A Câmara mantém 15 assessores
parlamentares, cada um com remuneração de R$ 5.148,48, além de 15 assessores de
gabinete, que recebem R$ 4.190,07. Esses cargos, de natureza política, seguem
no centro do debate público quando o tema é custo, eficiência e critérios de
escolha.
No campo político, os números são diretos: cada vereador de
Itapeva recebe subsídio mensal de R$ 9.900,00, enquanto o presidente da Câmara
tem remuneração de R$ 10.890,00. Valores previstos em lei, mas que
inevitavelmente entram no radar da população, sobretudo em um cenário de
cobrança por austeridade, produtividade e retorno efetivo ao interesse público.
A divulgação da folha salarial não representa concessão, mas
cumprimento de um dever constitucional. Ainda assim, ao tornar os números
públicos, a Câmara fornece matéria-prima para o controle social. Transparência
só se completa quando gera questionamento, comparação e cobrança — e é a partir
daí que a população passa a exercer, de fato, seu papel de fiscal do poder
público.


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