Política

Itapeva aprova orçamento de R$ 649,7 milhões para 2026 com foco em saúde, educação e previdência

Lei sancionada pela prefeita Adriana Duch fixa prioridades fiscais, amplia margem para créditos suplementares e mantém forte dependência de transferências correntes

A Prefeitura de Itapeva sancionou nesta terça-feira, 30 de dezembro, a Lei nº 5.363/2025, que estima a receita e fixa a despesa do município para o exercício de 2026 em R$ 649,71 milhões. O texto, aprovado pela Câmara Municipal, organiza o orçamento entre o orçamento fiscal (R$ 482,42 milhões) e o orçamento da seguridade social (R$ 167,29 milhões), detalhando as fontes de arrecadação, a distribuição das despesas e os limites para abertura de créditos suplementares ao longo do ano.

A maior parte da receita projetada advém de transferências correntes — R$ 519,69 milhões — evidenciando a dependência estrutural do município de repasses estaduais e federais. As receitas tributárias próprias somam R$ 102,41 milhões, enquanto contribuições, receitas patrimoniais e de serviços completam o quadro. Do total arrecadado, há uma dedução expressiva para a formação do Fundeb, no valor de R$ 49,47 milhões, conforme a legislação educacional vigente.

Do lado da despesa, o orçamento de 2026 prioriza saúde e educação, áreas que concentram, juntas, mais de R$ 407 milhões. A Secretaria da Educação lidera os aportes, com R$ 204,56 milhões, seguida pela Secretaria da Saúde, com R$ 202,58 milhões. A previdência social — concentrada no Instituto de Previdência Municipal de Itapeva (IPMI) — responde por R$ 51,97 milhões, além de uma reserva do RPPS de R$ 11,35 milhões, voltada à cobertura de riscos atuariais.

A lei orçamentária fixa R$ 369,6 milhões para o orçamento fiscal e R$ 280,1 milhões para a seguridade social. As despesas correntes representam a maior fatia (R$ 613,45 milhões), refletindo custos com pessoal, custeio da máquina pública e manutenção dos serviços essenciais. As despesas de capital, voltadas a investimentos e obras, totalizam R$ 24,9 milhões, indicando margem mais restrita para expansão de infraestrutura.

Entre os órgãos do governo, além de saúde e educação, destacam-se os recursos destinados à Secretaria de Defesa Social (R$ 31,68 milhões), Administração (R$ 27,9 milhões) e Urbanismo (R$ 27,84 milhões). A Câmara Municipal contará com R$ 19,1 milhões, enquanto a Assistência Social terá R$ 25,5 milhões, reforçando políticas de proteção social. Cultura, esportes, agricultura e desenvolvimento econômico aparecem com dotações menores, mas preservadas no conjunto do orçamento.

O texto também autoriza o Executivo a abrir créditos suplementares de até 5% da despesa total, limitados a R$ 1 milhão por ação, além de permitir ajustes para cumprir vinculações constitucionais, convênios, sentenças judiciais e necessidades do regime previdenciário municipal. Há, ainda, previsão para remanejamento de emendas parlamentares impositivas, desde que com anuência dos autores, e reforço de dotações do Legislativo por ato da Mesa Diretora.

Ao sancionar a lei, a prefeita Adriana Duch Machado consolidou o marco legal que orientará a execução orçamentária a partir de 1º de janeiro de 2026. As metas fiscais estabelecidas atualizam a Lei de Diretrizes Orçamentárias e mantêm compatibilidade com o Plano Plurianual, criando um arcabouço que combina rigidez legal e alguma flexibilidade administrativa — característica central de um orçamento pressionado por despesas obrigatórias e pela dependência de repasses intergovernamentais.

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