Educação

Vereadores articulam revogação de lei que gerou reação de pais e educadores

Parlamentares alegam que norma aprovada fere princípios da inclusão e pretendem enviar novo projeto ao Executivo

Vereadores de diferentes bancadas decidiram unir forças para revogar a Lei 5.343, sancionada no dia 2 de dezembro de 2025 - que cria 50 cargos de Monitor de Educação Básica na estrutura da Secretaria Municipal da Educação - após a repercussão negativa do texto entre pais, professores e famílias de crianças com deficiência. A norma, aprovada sem amplo debate, provocou preocupação imediata na rede de ensino, especialmente entre quem atua diariamente com alunos que necessitam de acompanhamento especializado.

Segundo os parlamentares, a decisão de propor a revogação surgiu após reuniões realizadas com professores eventuais e representantes da educação. O diagnóstico comum é que a matéria carece de aprofundamento, não estabelece garantias mínimas para a inclusão e pode, inclusive, restringir direitos já previstos em leis federais. Para eles, a legislação vigente falha em assegurar suporte adequado às crianças com deficiência, criando insegurança jurídica e operacional nas escolas.

Os vereadores argumentam que a Lei 5.343 infringe dispositivos da legislação nacional voltada à pessoa com deficiência, especialmente a Lei Brasileira de Inclusão, aprovada em 2015. A avaliação é que, ao alterar regras relacionadas ao atendimento educacional especializado sem critérios técnicos ou consulta prévia aos profissionais da área, a norma contraria princípios como acessibilidade, igualdade de oportunidades e proteção integral.

Com nove assinaturas já colhidas, os parlamentares preparam um projeto de lei específico para revogar integralmente a norma sancionada e reabrir o debate sobre o tema. A proposta será encaminhada ao Poder Executivo com a expectativa de que o governo municipal reavalie o conteúdo e edite uma nova regulamentação que efetivamente garanta condições seguras, inclusivas e juridicamente sólidas para o atendimento dos alunos com deficiência.

A articulação política busca, segundo os autores, corrigir o que classificam como uma distorção legislativa de impacto direto na vida escolar das crianças. A prioridade, defendem, deve ser a proteção educacional, o respeito às normas federais e a construção de políticas que fortaleçam a inclusão de forma responsável, dialogada e técnica.

Foto: Reprodução/Vídeo divulgado pelos vereadores de Itapeva

 

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