Política

Falta d’água provoca clima de revolta na Santa Maria e vira o centro dos debates na última sessão

Vereadores cobram ação imediata do Executivo e apontam falhas da Sabesp; sessão tem discursos duros e relatos de desespero de moradores

A sessão ordinária da Câmara de Itapeva desta quinta-feira, 27 de novembro, foi marcada por um debate intenso, emocionado e carregado de críticas diante da crise de abastecimento que atinge moradores da Vila Santa Maria e do Jardim Bonfiglioli. A falta de água — problema recorrente, mas que nas últimas semanas se agravou — levou parlamentares a exporem a indignação das famílias, denunciar omissões e exigir providências imediatas tanto da Sabesp quanto do Executivo municipal.

O primeiro a reagir com dureza foi o vereador Dr. Marcelo Poli, que descreveu a situação como “uma crise humanitária” e relatou que moradores estão há dias sem conseguir realizar tarefas básicas, como tomar banho, cozinhar e manter a higiene das crianças. O parlamentar narrou o desespero de famílias que vivem, segundo ele, “com parasitose, infecções e vulnerabilidade extrema”, agravadas pela ausência de abastecimento. Poli cobrou uma postura firme da Prefeitura: “Não há prioridade maior neste momento que encher a caixa d’água da Santa Maria”, afirmou, acusando o Executivo de omissão ao lavar as mãos e atribuir tudo à Sabesp.

Em seguida, a vereadora Áurea Rosa reforçou as críticas à companhia de água, apontando atrasos na leitura, contas emitidas em intervalos irregulares e tarifas que chegam a R$ 4 mil, além da qualidade da água, descrita como “suja” por moradores. Áurea também relatou que, desde a privatização, o atendimento se tornou mais lento e ineficiente. A vereadora aproveitou para abordar outros problemas de gestão municipal, como contratos de aluguel de prédios públicos e dificuldades de funcionamento do Bolsa Família e Conselho Tutelar.

Já o vereador Roberto Comeron adotou tom mais técnico ao defender que o município implemente um programa emergencial de instalação de caixas d’água nas residências mais vulneráveis, financiado com recursos sociais. Comeron relembrou programas implantados em gestões anteriores, como regularização fundiária e implantação de fossas sépticas, para mostrar que soluções estruturais são possíveis. Segundo ele, diante da falha da Sabesp — hoje privatizada e operada pela empresa Equatorial —, cabe ao Executivo agir de forma complementar, prestando socorro direto às famílias.

O vereador Margarido confirmou que a Sabesp admitiu falha na bomba de abastecimento e informou que a companhia trabalhava na troca do equipamento. Ele também afirmou que caminhões-pipa estavam sendo enviados, tanto pela empresa quanto pela Prefeitura. Em outra frente, Margarido defendeu o projeto de financiamento de R$ 20 milhões que retorna ao Legislativo após ajustes, argumentando que a renovação da frota municipal é indispensável.

O encerramento da discussão ficou a cargo do vereador Thiago Leitão, que voltou suas críticas diretamente ao Executivo. Segundo ele, falta liderança, presença e responsabilidade por parte da prefeita. Leitão disse que servidores ignoram mensagens dos vereadores e que a prefeitura só aparece no bairro “quando a situação explode”. “Não custa ir até a Santa Maria, olhar nos olhos das pessoas e explicar o que está sendo feito”, afirmou.

Após os discursos, a sessão avançou para a votação de emendas impositivas e do Orçamento 2026, estimado em R$ 649 milhões, mas o clima já estava dominado pelo escândalo da água. A crise transformou a sessão em um painel de cobrança pública, expondo falhas estruturais, insatisfação crescente da população e uma disputa política sobre responsabilidades.

O tema deve voltar à pauta, e os vereadores prometeram novas visitas ao bairro e novas cobranças à Sabesp e ao Executivo. 

SABESP

Nesta sexta-feira (28), a Sabesp emitiu um novo informativo comunicando que o abastecimento de água nos bairros Santa Maria e Jardim Bonfiglioli foi normalizado. A empresa pediu desculpas pelos transtornos causados e atribuiu a interrupção a uma falha no sistema de bombeamento que atende a região. No comunicado, a Sabesp afirmou que está adotando medidas estruturais para resolver o problema de forma definitiva, incluindo obras de ampliação da capacidade de reservação.

A Companhia destacou ainda que contou com o apoio da Prefeitura de Itapeva no envio de caminhões-pipa durante a crise e informou que manterá dois veículos de prontidão para reforçar o abastecimento enquanto os ajustes técnicos continuam.

Por fim, a Sabesp reforçou que, conforme legislação vigente, a responsabilidade pelo abastecimento de água no município de Itapeva é exclusivamente da própria Companhia.


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