Saúde

Santa Casa de Itapeva registra superlotação em UTI Neonatal e Unidade de Pediatria

Santa Casa atinge 144% de ocupação na UTI Neonatal e 116% na Unidade de Pediatria; superlotação expõe fragilidade da rede regional de saúde

A saúde regional voltou a dar sinais de alerta. Entre os dias 9 e 15 de setembro, a Santa Casa de Misericórdia de Itapeva divulgou um boletim que mostra a superlotação nas UTI Neonatal e Unidade de Pediatria. A primeira registrou taxa de ocupação de 144,30%, enquanto a segunda chegou a 116,70%, números que extrapolam a capacidade instalada e evidenciam a sobrecarga enfrentada pelo hospital.

A pressão se espalha por diferentes áreas. A UTI adulto operou com 98,05% de ocupação, a clínica médica alcançou 100,68% e a maternidade manteve equilíbrio maior, com 57,80%. Esses índices demonstram que, embora alguns setores apresentem folga, o hospital vive no limite em serviços de maior complexidade.

No pronto-socorro, foram contabilizados 723 atendimentos na semana. A maioria, 52,56%, correspondeu a casos azuis e verdes – situações de baixa gravidade que, segundo orientação da própria Santa Casa, deveriam ser absorvidas pela atenção básica e pela UPA. Os casos classificados como amarelo representaram 44,40%, enquanto laranjas e vermelhos somaram pouco mais de 3%, confirmando a predominância de quadros não emergenciais.

O perfil da demanda também mostrou forte presença de pacientes de fora da cidade. Dos atendimentos, 67,08% foram de moradores de Itapeva, enquanto 32,92% vieram de municípios vizinhos. Nas internações, o quadro se equilibrou: 55,07% de Itapeva contra 44,93% de outras cidades.

Além das urgências, a semana contabilizou 141 cirurgias, entre elas 98 de urgência, 14 eletivas municipais e 29 eletivas programadas. No acumulado do mês, já são 290 procedimentos cirúrgicos.

Os atendimentos de alta complexidade seguem em volume expressivo: 190 pacientes em hemodiálise e uma média de 3.800 em tratamento oncológico. A oncologia, aliás, registrou um momento simbólico: a equipe comemorou a última sessão de quimioterapia da paciente Valdinice, exemplo da importância do serviço para a população da região.

O boletim também trouxe destaque para iniciativas institucionais e comunitárias. Uma delas foi a adoção de um quarto da Santa Casa pela nova empresa Café Carneiro - Adote um Quarto, fortalecendo o modelo de parceria social para a melhoria da infraestrutura hospitalar.

Outro ponto relevante foi a atuação do Núcleo Hospitalar de Transplantes, que promoveu ações de conscientização sobre a importância da doação de órgãos no chamado Setembro Verde, dedicado ao tema.

A instituição também realizou uma reunião estratégica envolvendo o Conselho de Administração, Conselho Fiscal, Diretoria Administrativa e a Superintendência, com foco no acompanhamento dos indicadores assistenciais e no planejamento de melhorias.

Na área acadêmica, os alunos do curso de Enfermagem da FAIT Itapeva/ISEPE participaram de uma ação solidária no Banco de Sangue da Santa Casa, reforçando o vínculo entre formação profissional e responsabilidade social.

Além disso, o hospital registrou o nascimento de um bebê prematuro com apenas 27 semanas, que segue recebendo cuidados intensivos. O caso foi destacado como exemplo do desafio diário de salvar vidas em condições de extrema vulnerabilidade.

Com UTIs operando acima da capacidade e pronto-socorro atendendo casos que poderiam ser resolvidos em unidades básicas, o boletim funciona como um retrato fiel da pressão sobre o sistema de saúde da região. Sem um reforço na descentralização dos atendimentos e investimentos estruturais, a Santa Casa corre o risco de enfrentar um colapso assistencial.

O relatório reforça a urgência de articulação entre municípios do Sudoeste Paulista para reorganizar fluxos e garantir que o hospital concentre esforços nos casos de maior gravidade, evitando que a superlotação se torne a regra permanente.

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