Política

Câmara de Itapeva rejeita denúncia contra prefeita e impede abertura de Comissão Processante

Parlamentares apontaram falhas jurídicas e pedidos inconstitucionais no documento; decisão foi unânime e encerrou tentativa de instaurar investigação política contra Adriana Duch

A Câmara Municipal de Itapeva rejeitou, por unanimidade, na noite desta segunda-feira, 18 de agosto, uma denúncia apresentada contra a prefeita Adriana Duch que poderia levar à abertura de uma Comissão Processante. O pedido, protocolado por um cidadão com base no relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Limpeza Urbana, apontava supostas irregularidades em contratos de capina e roçada. Entre as acusações estavam alegações de sobrepreço, prejuízo ao erário, falta de fiscalização, conluio político, interferência do esposo da prefeita e questionamentos sobre o diploma do ex-secretário de Administrações Regionais.

Durante a sessão, diversos vereadores destacaram que a denúncia apresentava inconsistências e extrapolava as atribuições do Legislativo. Para o vereador Marinho Nishiyama (Novo), a peça era “inepta e repleta de vícios”. Ele lembrou que a solicitação incluía pedidos que não poderiam ser atendidos pela Câmara, como o afastamento cautelar da prefeita, considerado inconstitucional, além da responsabilização solidária do marido da chefe do Executivo e de ex-secretários, matérias que não cabem ao Parlamento municipal. “Quiseram fazer muito e não fizeram nada. Infelizmente, foi uma peça totalmente equivocada, que desvirtuou o trabalho da CEI”, declarou.

Caso tivesse sido acolhida, a denúncia resultaria no sorteio de três vereadores entre os 15 que compõem a Casa para integrar uma comissão processante. O grupo teria 90 dias para conduzir novas diligências e apresentar um relatório, que poderia levar à cassação ou à absolvição da prefeita. A rejeição, no entanto, não impede que novas representações sejam feitas no futuro, conforme lembrou o vereador Marcelo Poli (PL). “Temos que ter embasamento. Esse pedido foi feito às pressas, sem qualidade técnica. O problema é a má gestão, que gera questionamentos, mas não podemos aceitar qualquer denúncia sem solidez”, afirmou.

Outro argumento levado ao plenário foi a repetição do conteúdo da denúncia já analisada por órgãos de controle externo. O vereador Júnior Guari (Republicanos) destacou que um pedido semelhante havia sido protocolado no Tribunal de Contas do Estado (TCE), que, em decisão recente, negou o afastamento da prefeita. Ele citou trecho do despacho do conselheiro relator, de 13 de agosto, no qual se reconhece que a prefeitura adotou medidas para apurar responsabilidades no contrato de limpeza, não havendo “atos insanáveis ou injustificáveis” que justificassem medida extrema.

O debate expôs divergências quanto à condução administrativa do Executivo, mas também mostrou consenso sobre a necessidade de respeitar os limites legais de atuação do Legislativo. A rejeição da denúncia encerra, por ora, a tentativa de abrir um processo político-administrativo contra a prefeita Adriana Duch. A decisão, contudo, não afasta o desgaste político em torno da gestão, marcada por críticas à execução dos contratos de serviços de limpeza e pela atuação de ex-secretários investigados.

Ao final da sessão, a Câmara reiterou que, embora não tenha encontrado elementos para seguir com o pedido atual, continuará acompanhando os desdobramentos administrativos e judiciais relacionados ao caso. A votação unânime também sinalizou que, entre críticas e cobranças, os vereadores não pretendem aceitar denúncias sem respaldo jurídico consistente, sob risco de transformar o plenário em palco de disputas sem efetividade.

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