“A farda exige estudo” - Capitão Maciel revela como o estudo molda líderes na Polícia Militar de São Paulo
Capitão Maciel destaca importância da educação continuada
na Polícia Militar e reflete sobre desafios e responsabilidades da formação de
oficiais
Em tempos de constantes transformações sociais e exigências
cada vez mais complexas no campo da segurança pública, a qualificação acadêmica
dos oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo vem se consolidando como
uma exigência estratégica — não apenas para a ascensão na carreira, mas também
como instrumento fundamental para o aprimoramento das práticas operacionais e
administrativas da corporação.
Foi nesse contexto que o Capitão PM Maciel, reconhecido por
sua atuação comprometida na região sudoeste paulista, participou na última quinta-feira,
3 de abril, da banca de avaliação do Programa de Mestrado Profissional em
Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública da PMESP, realizada na sede do
10º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), em Piracicaba.
O convite para integrar a comissão avaliadora não foi por
acaso. Formado no programa de mestrado em 2024, o Capitão Maciel vem se
destacando como referência entre os oficiais que abraçaram o ensino superior
como caminho de evolução profissional e pessoal dentro da estrutura hierárquica
da Polícia Militar. A presença dele na banca representa não apenas o
reconhecimento da sua trajetória acadêmica, mas também um compromisso com a
formação de novas lideranças que saibam aliar teoria e prática no enfrentamento
cotidiano das demandas da segurança pública.
Na entrevista exclusiva concedida ao Jornal No Alvo, o
oficial fala sobre o valor do conhecimento continuado, os desafios enfrentados
pelos policiais militares que decidem voltar aos bancos escolares, a
importância do desenvolvimento pessoal e os motivos pelos quais é essencial
manter vivo o espírito acadêmico, mesmo após anos de serviço. Sem rodeios, ele
também faz reflexões contundentes sobre responsabilidade individual, foco,
sacrifício e a eterna busca por excelência — marcas registradas daqueles que, como
ele, acreditam que a farda não dispensa o saber, mas sim o exige.
Confira abaixo a entrevista completa com o Capitão PM
Maciel:
Jornal: Porque o oficial volta aos bancos acadêmicos na
PMESP?
Primeiro por ser um pré-requisito ao
crescimento hierárquico e de certa forma voltamos à escola porque o aprendizado
é um processo vitalício. "A educação do homem nunca está completa até sua
morte", observou Robert E. Lee (1807- 1870), comandante-em-chefe do
exército confederado na Guerra de Secessão Americana.
A educação envolve tanto aprendizado do novo como o desaprendizado do velho, impondo-se a qualquer momento. Ao chegar aos Cursos de mestrado e doutorado o oficial avançara em seus estudos para criar e olhar para frente abraçando uma nova oportunidade de crescimento e desenvolvimento pessoais que lhe é oferecida. O que lhe servirá de base para ocupar postos de Comando dentro da Policia Militar.
Jornal: O que o senhor fala aos novos oficiais?
Digo que ninguém pode se importar com você mais que você mesmo, sua é a responsabilidade de colocar este processo em movimento, de tomar a iniciativa e começar verdadeiramente a se aperfeiçoar. Você não pode ser um fracasso sem o seu consentimento. O desenvolvimento pessoal, incluído o profissional, exige duas coisas: a admissão de que você não sabe tudo aquilo que precisa saber para progredir, e o compromisso de começar a aprender o que é preciso.
Jornal: Quando falamos em buscar estudos e aprendizado as
pessoas geralmente alegam falta de tempo?
Olha que interessante Júlio César escreveu seus textos numa tenda no campo de Batalhão, à noite, enquanto todo o Exército Romano dormia. Lutero traduziu a Bíblia durante o tempo em que permaneceu preso no Castelo de Wartburg e Margareth Mitchell escreveu todas aquelas centenas de páginas de “E o vento levou”, ao mesmo tempo em que trabalhava, em horário integral, como jornalista. É claro que isso requer muita dedicação e trabalho duro, bem como disposição para sacrificar alguns prazeres a curto prazo em nome do ganho a longo prazo, mas fazer o que deve ser feito quando precisa ser feito é o preço do triunfo.
Jornal: Os oficiais durante o longo tempo dentro da
Instituição vão perdendo os sonhos da academia de policia?
Quando jovens alimentamos sonhos grandiosos,
com os quais muitas vezes continuamos sonhando até hoje. O que muda é que, de
repente, tais sonhos vão perdendo a posição central que ocupavam em nossas
vidas em razão das desculpas que, por comodidade, damos a nós mesmos, sob o
mote de “compromissos e dificuldades diversas”. Norman Cousins oferece-nos a
visão pela qual "É um contra-senso dizer que não se tem tempo para estar
totalmente informado. O tempo dedicado ao pensamento economiza mais tempo do
que qualquer outra coisa", ou como alude a sabedoria popular: minutos de
cabeça poupam horas de braço, os homens e mulheres que se sobressaem em um
determinado campo de conhecimento ou atividade, com frequência não são mais
dotados que a média. Destacam-se porque dedicaram tempo ao próprio preparo,
para desenvolver o potencial que possuem a um nível muito acima da média.
Jornal: O senhor se formou em Mestrado o ano passado e como
foi já participar da banca de outro Capitão?
Sim, me formei em 2024 e ao receber a
noticia de que iria participar da banca de mestrado de outro colega foi algo
gratificante e o tema escolhido pelo outro capitão é pertinente ao que estudei
então isso facilitou muito para poder ajudar no direcionamento da pesquisa e
corrigir alguns pontos.
Jornal: O Capitão Munhoz apresentou qual tema e se o mesmo
foi aprovado em seu trabalho cientifico?
Apresentou o tema: Diagnóstico das ações
positivas de policiamento comunitário na comunidade escolar para fortalecimento
da imagem institucional na área da 1 Cia do 10° BPM/I em Piracicaba e sim foi
aprovado utilizou bem os dados disponíveis e fez uma excelente apresentação do
seu trabalho a banca avaliadora.

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