Prefeita aparece na limpeza contra a dengue, mas secretários seguem na sombra
A ineficiência na coleta de entulhos e o consequente acúmulo
de lixo em diversas regiões de Itapeva foram temas centrais da última sessão do
Legislativo municipal. Moradores denunciam que seguiram as diretrizes das
autoridades para o descarte correto de sofás, móveis e outros objetos
inutilizados nas calçadas, mas o serviço de recolhimento falhou, deixando para
trás um cenário de abandono. Pilhas de entulho expostas favorecem a
proliferação do mosquito transmissor da dengue, ampliando a preocupação
sanitária e os riscos à população.
A desorganização se agrava devido à falta de coordenação
entre secretarias: enquanto um setor orienta a população sobre o descarte, a
pasta responsável pela remoção não cumpre o cronograma prometido. O resultado é
um efeito cascata, com moradores revoltados e clandestinos aproveitando para
despejar ainda mais lixo em locais já comprometidos.
No plenário, vereadores reforçaram que a falta de
planejamento potencializa um problema de saúde pública. As condições climáticas
atuais, com calor intenso e chuvas esparsas, criam ambiente propício à formação
de criadouros do mosquito Aedes aegypti. O quadro é descrito como “grave”, e
parlamentares alertam que bairros inteiros já convivem com focos do inseto, uma
situação que poderia ser evitada com uma gestão mais eficiente.
Há dinheiro, mas falta comando. Essa foi a tônica de alguns
discursos na Câmara. Segundo vereadores, recursos financeiros estão
disponíveis, mas a liberação de verbas e a formalização de contratos de coleta
não ocorrem com a agilidade necessária. Esse descompasso trava soluções e
prolonga os impactos do problema.
Para contornar o caos, surgiu um consenso: a criação de uma
força-tarefa com caminhões, equipes de limpeza e agentes de saúde para um
mutirão emergencial. A ideia é, além da remoção dos entulhos, intensificar a
conscientização da população sobre o descarte adequado e os riscos de novas
infestações do mosquito da dengue.
Outro ponto levantado pelos parlamentares foi a preocupação
com períodos de feriados prolongados, quando a suspensão de serviços agrava a
permanência de lixo exposto nas ruas. A pressão agora recai sobre os gestores
para que apresentem um cronograma claro e eficaz para evitar que a história se
repita. Caso contrário, o descontentamento tende a crescer, assim como os
riscos à saúde da população.
Na contramão das críticas, nesta segunda-feira, 3 de março,
imagens da prefeita Adriana Duch com a mão na massa circularam na internet,
mostrando-a ajudando na limpeza durante a Campanha contra a Dengue. Se foi
apenas uma jogada de marketing, não podemos afirmar. No entanto, a população se
animou mais com a retomada da campanha do que com a aparição da prefeita diante
das câmeras. Afinal, a cidade já estava tomada por entulhos e, por mais esforço
que se coloque em uma ação pontual, o problema persiste sem planejamento
estruturado.
E fica a pergunta que não quer calar: por que a prefeita não
convocou também os secretários — os mesmos que tiveram aumento salarial — para
colocarem a mão na massa? Afinal, se a ordem é servir a população, todos
deveriam estar no mesmo barco. Enquanto a gestora fazia marketing… opa,
trabalhava pesado, muitos secretários seguiam curtindo a folia de Carnaval,
distantes dos problemas reais da cidade. Assim segue a "equipe nota
10" da prefeita: na hora da aparição, está todo mundo pronto; na hora da
solução, o time some.

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