DIRETO DA CÂMARA — Câmara de Itapeva escancara crise na Santa Casa
Sessão plenária expõe impasse financeiro
O prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, ao ser reeleito foi questionado pela imprensa sobre como seria o segundo mandato no tocante às principais demandas da população carioca, respondendo o seguinte: "Sabemos que temos enormes desafios, porém sabemos que os assuntos de saúde, transporte público e zeladoria municipal sempre são o mais demandados pela nossa população. As pautas de saúde pública e zeladoria urbana são muitas vezes enxugar gelo, para garantir o mínimo necessário ao cidadão que necessita desses serviços. Em todo caso, é onde nossa ação como gestor público deve sempre estar mais presente sem descuido".
Diante do tema predominante da segunda sessão ordinária da Câmara Municipal de Itapeva, os vereadores trataram exaustivamente da pauta de como manter os repasses de recursos próprios para Santa Casa como sendo um impasse financeiro por parte do Poder Executivo.
Infelizmente a constatação de que o Poder Executivo está sendo retrógrado em relação à situação da Santa Casa é a única conclusão possível diante das colocações dos poucos vereadores que foram mais sóbrios em suas considerações sobre o tema.
O ponto de partida do assunto se deu ainda hoje via rádio e redes sociais. Preliminarmente a informação foi tratada pelo vereador Paulo Roberto Tarzan que, dentre esse e outros assuntos, em entrevista para uma emissora de rádio local, abordou o assunto, mas sem agregar absolutamente nada ao debate da pauta. Assim como outros pares fizeram durante a sessão plenária da Câmara Municipal.
O vício de tratar temas de tamanha envergadura e complexidade com soluções simplistas é recorrente nesses debates. Um vereador apontou que somente com planejamento de longo prazo a Santa Casa será salva de qualquer espécie de caos de funcionamento e financiamento.
Diante disso, é preciso considerar que abordar o tema de forma genérica sempre é uma boa fuga para tratar das responsabilidades técnicas de gestão não apenas dos gestores públicos em relação ao caso, mas também dos administradores privados da entidade, uma vez que o gerenciamento da linha final de aplicação de recursos recebidos do poder público e atendimento da população via SUS é realizado pelo corpo de funcionários do hospital. Cabe aqui reconhecer os esforços, principalmente da administração da Santa Casa, após o choque de gestão aplicado como remédio amargo pelo prefeito Mário Tassinari, com acompanhamento dos vereadores e Ministério Público.
Mas e agora? Como será daqui por diante?
O debate do assunto começa a decair no achismo quando um vereador inventa a solução mirabolante sugerindo incorporar a UPA à Santa Casa; como se isso fosse uma forma de injetar mais recursos na entidade que já sobrevive sobrecarregada de afazeres do atendimento de alta e média complexidade. Dispensa maiores comentários a fala estabanada do vereador e ex-prefeito Roberto Comeron. Se era essa a solução, por quê ele não operacionalizou isso em seu mandato? Se o secretário de Saúde da época do mandato dele fosse um gênio, como pensa que é, certamente não seria necessário a batalha do administrativa e financeira travada pelo prefeito Mário Tassinari às duras penas para colocar um pouco de racionalidade nas questões administrativas e financeiras da Santa Casa. Entretanto, agora, tudo isso é passado. A questão como dito é responder como será daqui por diante com a prefeita Duch e sua equipe gerenciando essas questões.
Os lampejos de lucidez muitas vezes vem de onde menos se espera. Um vereador novato bateu na tese de que como entende pouco do assunto, irá dar crédito ao médico colega de mandato para promover as vigas mestras do debate sobre o assunto. Senhores e senhoras vereadores, isso se chama sensatez e honestidade intelectual. O vereador debutante sabendo de quem pouco ou nada entende do assunto, prefere aprender e confiar em quem já possui carreira técnica na área. Sigam o exemplo do novato e libertem-se da velha e mal fadada sofomania da edilidade!
Pois bem, como será um bocado complicado convencer a patroa do Poder Executivo que durante reuniões sobre assuntos de educação emenda discursar sobre prisão de ventre e gases, temos que depositar nossas esperanças que os vereadores desta legislatura sejam mais hábeis e prudentes em suas considerações e atitudes. Cabe aos nobres edis salvar a lavoura perante um governo que vive de marketing como principal estratégia, lembrando sempre que marketing político não é gestão administrativa.
Mudando de assunto, mas sem perder o foco que é governar com juízo e prudência...
Enquanto não desmamam a prefeita do leite com manga do marketing político à moda sorocabana e itapetiningana, o que já virou chacota na boca do povo desta urbe, ao ponto do povão falar em tom de desdém que temos uma prefeita João Plenário, personagem da Praça É Nossa, que fala mas não diz coisa com coisa, temo que pensar no que nos afeta aqui agora em "Itapeva das campinas".
Na capital dos minérios e soja, mato temos à vontade nas praças, o desmatamento por incrível que pareça é no Pilão D"água. Se até agora nem a praça Anchieta, com aquela fama de cartão postal do interior, foi limpa a contento, com sacolas de lixo empilhadas, o que podemos esperar dessa gestora além de vídeos???
Senhoras e senhores vereadores, sabemos que "vossas excelências" podem ter todos os defeitos e serem produto do sistema partidário e político corrompido eticamente, mas é melhor contar com tropa da Avenida Vaticano do que com a tropa apeada atualmente na praça Duque de Caxias.
Salvem Itapeva e depois da chuva, quando tiverem um tempinho, passem na redação deste jornal tomarem um cafézinho. Porque daqui a pouco, se depender do outro governante metido à garoto propaganda, não teremos nem picanha e nem café!
Por último fica a oportuna reflexão colocada no telão do plenário à pedido do vereador Robson Leite:
"Apesar da extensa lista de obrigações, muitos prefeitos, nestas primeiras semanas de mandato, parecem estar mais preocupados em fazer alarde de problemas e dívidas que herdaram do antecessor, como se ainda estivessem em campanha. Se eventuais ilegalidades devem, por óbvio, ser denunciadas aos órgãos de controle e fiscalização, as deficiências municipais encontradas precisam ser encaradas de frente e resolvidas com presteza. Como sempre dizemos no tribunal de contas, quem foi eleito, foi eleito para consertar eventuais falhas da administração passada. O tempo das eleições terminou; a população, agora, espera trabalho. É hora de desarmar os palanques e governar. Afinal, 2028 está logo ali na esquina" - Dimas Ramalho - Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado

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