OPINIÕES & DEBATES — Prefeita e secretários atacam a imprensa depois de avalanche de críticas sobre ação no Santa Maria e Jardim Bonfiglori
A VOZ DO POVO É FAKE NEWS? | Como diz um velho ditado: Perguntar não ofende. Primeiro o fato a ser analisado: A prefeita Duch e secretários alegam que as reclamações e depoimentos de moradores do Santa Maria e Jardim Bonfiglori noticiados esta semana são fake news com base em uma montagem de vídeo divulgada por um radialista e não por este jornal. A reclamação e indignação de moradores notificados sem alternativas de moradias dignas que foram e serão retirados de barracos onde residem indo até sessão da Câmara Municipal no mesmo dia pedir socorro aos vereadores é fake news?
ÔNUS DA PROVA | A partir das declarações da prefeita Duch em vídeo postado nas redes sociais, com grande repercussão, prefeito chegou ao ponto de acusar que as informações são falsas ou falsificadas. Perante isso, cabe à própria prefeita Duch diante do vídeo por ela mesmo manifesto nas redes sociais, antes de mais nada, averiguar no local como os moradores foram abordados na ação de fiscalização e remoção de barracos. Caso contrário a prefeita está apostando no descrédito do direito à informação e trabalho da imprensa, assim como insistindo em usar as redes sociais como ferramenta de desagregação social tirando conclusões precipitadas, sem antes conhecer todos os pormenores do assunto que envolveu moradores do Santa Maria e Bonfliglori e funcionários públicos.
CONTRAPONTO DOS MORADORES | Os moradores que foram e serão retirados de onde estão morando até o momento não receberam nenhuma satisfação ou visita da prefeita no local. Como diria uma certa repórter isso é fato e não boato, pois é a voz do povo queixando-se da forma desrespeitosa que foram tratados por agentes públicos. Por enquanto, por não haver esclarecimentos pertinentes por parte da assessoria de imprensa da prefeitura quando acionada sobre assuntos dessa natureza, cabe somente dar ouvidos e credibilidade para os argumentos trazidos pelos moradores do local que foram testemunhas e envolvidos na situação. Sendo isto que a imprensa fez nesse caso.
IMPRENSA E CÂMARA MUNICIPAL COMO FISCAIS DA POPULAÇÃO | Se a imprensa no ofício de transmitir informações reais do cotidiano político e administrativo da cidade for retaliada e perseguida por narrar acontecimentos e opinar sobre atos do governo municipal, muito em breve os vereadores também serão as próximas vítimas das narrativas e tentativas criminalizar a livre expressão de fatos e opinião. A censura proposta e uso de recursos administrativos e judiciais, como foram anunciados pela prefeita Duch, será a alternativa para para calar a voz de quem representa segmentos e pluralidade de pensamento da população de Itapeva? Em ambas as situações a imprensa e vereadores deverão sofrer não apenas cerceamento de suas prerrogativas de função, mas também violação de direitos previstos na legislação sobre direito a informação, opinião e liberdades políticas.
REPERCUSSÃO NA CÂMARA MUNICIPAL | Coube a vereadora Áurea e vereador Robson Leite destacarem com maior indignação o tratamento dado à situação ocorrida nas imediações da Santa Maria e Bonfiglori. Ao criticarem a postura da prefeita que em momento algum se prontificou ou preocupou em ouvir queixas dos moradores notificados, torna-se mais evidente que a prefeita buscou apenas tornar o assunto uma batalha de narrativas via redes sociais. A partir disso deve haver uma ação coletiva dos vereadores em busca de pacificação dos problemas decorrentes das demandas não atendidas por moradias de interesse social em Itapeva. A prefeita em momento algum demonstra equilíbrio e sensibilidade para tratar pessoalmente com moradores as demandas de questões de regularização fundiária e construção de moradias em bairros carentes de baixa renda em Itapeva.
COM A PALAVRA O PODER LEGISLATIVO | Caberá aos vereadores impedir que atitudes de notificação e remoção arbitrária de famílias que estão morando em terrenos públicos seja levada a cabo por secretários municipais sem compromisso com direitos e garantias de cidadãos, assim como respeito diante das causas sociais que qualquer entidade do Poder Público deve ter com a população que governa e representa. As comissões pertinentes do Poder Legislativo têm por obrigação tratar do assunto, buscando efetivar políticas públicas que amenizem as situações de menosprezo com as reivindicações de pessoas que integram um passivo crescente de famílias sem moradias dignas em Itapeva.
A PALAVRA DOS MORADORES NOTIFICADOS | A comoção e sentimento de desrespeito com pessoas que sem outra alternativa estão morando em barracos e puxadinhos em terrenos púbicos, assim como em bairros com péssima infraestrutura na periferia de Itapeva é o pano de fundo de toda situação. O pior problema depois do descaso com o atendimento de saúde da população vem sendo os problemas sociais oriundos do descaso e atraso das autoridades municipais em tratar com decência e dignidade pessoas que clamam por moradias populares em Itapeva. Os moradores notificados pela Secretaria Municipal de Obras estão estarrecidos e sem opções de pagamento de aluguel e locais para se mudarem. Diante da multiplicação de fatores que causam problemas sociais em Itapeva o descaso e insensibilidade dos gestores do governo municipal vem demonstrando ser o principal fator gerador de indignação das pessoas sem teto.
"O objetivo dos governos é sempre o mesmo:
limitar o indivíduo, domesticá-lo, subordiná-lo e subjugá-lo". - Max Stirner

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