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Projeto Batuíra enfrenta barreiras com a Secretaria de Esportes em Itapeva/SP

Um impasse envolvendo a Secretaria de Esportes de Itapeva/SP e o Projeto Batuíra, coordenado por Marinho, tem gerado indignação aos pais e alunos do projeto Batuíra. O projeto, que há mais de oito anos promove inclusão social e formação esportiva para cerca de 200 crianças, não conseguiu manter os horários tradicionais de treino nas quadras municipais, conforme relatos enviados ao jornal No Alvo.

O Projeto Batuíra é conhecido pela atuação voluntária e pelo impacto positivo em crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos. Marinho, treinador e diretor do projeto, descreve sua frustração com a gestão atual, liderada pelo secretário de esportes Ronaldo Ribeiro, que, segundo ele, não priorizou as demandas do Batuíra no uso das quadras municipais.

De acordo com Marinho, o Batuíra tradicionalmente treinava às segundas e sextas-feiras, das 8h às 10h, na quadra do Miguelzinho. No entanto, após mudanças na gestão, o projeto perdeu esses horários. Ao procurar a Secretaria de Esportes para resolver a questão, Marinho afirma ter recebido uma resposta tardia e insatisfatória, com a justificativa de que todos os horários já estavam preenchidos. Como alternativa, foi oferecido o horário das 20h às 22h na quadra da Morada do Bosque, inviável para os participantes devido à dificuldade de locomoção e ao horário inadequado para crianças.

"Não queremos exclusividade, mas sim prioridade para projetos sociais. É decepcionante que a gestão pública não consiga entender a importância disso", desabafou Marinho.

Os pais dos alunos do Batuíra manifestaram preocupação com a situação, enfatizando o papel do projeto na formação de valores e na promoção de oportunidades para crianças em situação de vulnerabilidade. Segundo relatos, o projeto é gratuito e opera exclusivamente com o esforço voluntário de Marinho e sua equipe. Muitos pais, ao serem informados da perda do horário na quadra municipal, reforçaram o apoio ao projeto e se mostraram solidários com a situação.

"A gente faz isso de coração. É muito triste ver que, mesmo sabendo da importância do Batuíra, a Secretaria de Esportes não facilita nosso trabalho. Estamos falando de crianças que poderiam estar em situações de risco, mas escolhem o esporte como caminho", afirmou Marinho em um áudio enviado aos pais.

Até o momento, o secretário Ronaldo Ribeiro não se pronunciou publicamente sobre as acusações de falta de prioridade para projetos sociais. Segundo Marinho, há um histórico de dificuldades entre o Batuíra e a Secretaria, com relatos de perseguição e falta de diálogo ao longo dos anos. O treinador afirma ter retirado um vídeo de redes sociais para evitar retaliações, mas garantiu que seguirá buscando alternativas para manter o projeto ativo.

Marinho também destacou que, segundo a Lei Orgânica do Município, projetos sociais devem ser priorizados na gestão de espaços públicos. Ele questiona a alocação dos horários e a falta de transparência no processo de distribuição das quadras. "É impossível atender as crianças nos horários oferecidos. A Secretaria precisa entender que um projeto social como o nosso não pode ser tratado como uma atividade qualquer", pontuou.

Sem o apoio necessário da administração pública, o Projeto Batuíra planeja retomar as atividades no dia 3 de fevereiro, utilizando quadras e campos privados. Apesar das dificuldades, Marinho reafirma o compromisso com as crianças e promete um ano de muitas conquistas. "O Batuíra vai voltar ainda mais forte. Continuaremos mostrando que um projeto familiar e de coração faz a diferença na vida dessas crianças", afirmou.

A situação expõe a dificuldade enfrentada por iniciativas sociais que dependem de infraestrutura pública. Marinho e os pais das crianças pedem maior sensibilidade da gestão municipal e esperam que o caso sirva de alerta para outras cidades que lidam com questões semelhantes.

O futuro do Projeto Batuíra pode depender da mobilização popular e da capacidade da gestão pública de reavaliar suas prioridades. Para Marinho, o importante é que as crianças continuem tendo acesso ao esporte como ferramenta de inclusão e transformação social. "Seja no campo, na quadra ou onde for possível, estaremos lá, porque essas crianças merecem", concluiu.

Nota: O jornal No Alvo entrou em contato com o Secretário de Esportes, mas até o fechamento desta publicação, não obteve resposta.

 

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