Disparada da cotação do dólar deve afetar preços ao consumidor
A cotação do dólar encerrou 2024 à R$ 6,18, acumulando uma alta de 27% no ano. O maior aumento da cotação ocorreu no último trimestre, diante de fatores relacionados com a questão fiscal do governo federal, que diz respeito à correlação de receitas e despesas da administração pública.Os economistas analisam que o governo federal deveria fazer um ajuste fiscal contemplando um corte de gastos (despesas) mais rigoroso, o que poderia afetar diretamente reajuste do salário mínimo e benefícios sociais, além de planejamento de investimentos em obras de infraestrutura e políticas públicas em geral.
Outro fator que influencia a alta do dólar no Brasil é também a política econômica dos EUA. O governo norte-americano, diante das eleições presidenciais e eleição do presidente Trump, dentre outros fatores, impôs elevação dos juros, o que consequentemente eleva o valor dos títulos da dívida americana.
A elevação de juros no EUA exercem forte impacto e influência na decisão de investimentos globais operados em moeda americana, atingindo o mercado de investimentos brasileiros ao ponto de retirar ou retardar investimentos em dólar que seriam feitos no Brasil, diante da cotação do dólar face a outras moedas.
Para o consumidor nacional, diante do recente acúmulo da alta do dólar no último trimestre, o mês de janeiro deve ser de alta nos preços no varejo. O efeito ocorre porque a indústria de bens de consumo, que fornece produtos ao mercado consumidor, sofre pressão para fazer reajustes diante da escalada do dólar no último trimestre, que causou elevação dos cursos de produção.
Era prevista a alta dos preços de mercadorias no final do ano de 2024, porém esse cenário não aconteceu. Os analistas alegam que os estoques e ofertas de final de ano, motivados pelo consumo de compras de natal, já estavam preparados para atender a demanda sem os efeitos da disparada da cotação do dólar em dezembro.
Apesar disso, passou a haver renegociação de fornecedores que compram insumos do exterior, principalmente empresas de alimentos, higiene e limpeza, eletrodomésticos, entre outros. Perante esse cenário, a maior pressão no momento é do setor de produtos higiene e limpeza, os dependem de componentes químicos, que são na maior parte importados e cotados em dólar.
A elevação do dólar, por outro lado, favorece setores de importação, como a venda de produção agrícola e agroindústria para o mercado estrangeiro. Mesmo assim, existe pressão para renegociações envolvendo os setores de exportação, principalmente os segmentos de soja, milho e carne bovina, uma vez que insumos e fertilizantes são importados e cotados em dólares.
Esse contexto desfavorável de desvalorização do real em face ao dólar causa reajustes com elevação dos custos de produção e serviços, acarretando encarecimento de produtos, mercadoria e serviços destinados ao consumidor final brasileiro, cuja renda apesar do aumento real do salário e remuneração no últimos dois anos, sente a pressão de aumento de preços por fatores sistêmicos relacionados ao aumento da cotação do dólar no Brasil.

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