Capitão Maciel aborda as múltiplas facetas do desemprego, das causas históricas às consequências atuais, em entrevista exclusiva
Em um momento em que o desemprego se apresenta como uma das
principais preocupações globais, a entrevista com o Capitão Maciel, conduzida
pelo Jornal No Alvo, se destaca por lançar luz sobre os diversos aspectos que
circundam esta questão complexa. Definindo o desemprego além de sua concepção
dicionarizada, Maciel nos guia por uma jornada que explora suas causas, desde
as históricas mudanças estruturais e inovações tecnológicas até as crises
econômicas e sociais contemporâneas. Com uma análise aprofundada sobre as
consequências devastadoras do desemprego na sociedade, incluindo o aumento das
desigualdades sociais e os impactos psicológicos nos indivíduos, esta conversa
esclarecedora também aborda a ligação entre o desemprego e o aumento da
criminalidade, oferecendo um panorama detalhado sobre os desafios que
enfrentamos e as possíveis vias de mitigação.
Descubra mais sobre os desafios e soluções para o desemprego na íntegra da nossa entrevista com o Capitão Maciel:

JORNAL NO ALVO: Como falar de desemprego atualmente?
Capitão Maciel: Primeiro vamos definir “DESEMPREGO”, onde segundo o
Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, define, “como a falta de emprego;
situação em que parcela da força de trabalho não consegue obter ocupação”.
Logicamente o escrito nunca vai traduzir a angústia de quem está desempregado, mas nos mostram o que, de fato, é o desemprego. Vale lembrar que essa “ocupação” a que o dicionário se refere é aquela relação ao emprego formal propriamente dito, sendo desempregado aquele ou aquela que não possui um emprego dessa forma com carteira assinada e tem sua garantia trabalhistas garantidas.
JORNAL NO ALVO: Quais as causas do desemprego, hoje no país?
Capitão Maciel: Temos as mais variadas causas, desde mudanças
estruturais e inovações tecnológicas a crises econômicas e sociais. Podemos
observar que ao longo da história humana todas as vezes houve o surgimento de
inovações técnicas e científicas sempre, trouxe mudanças na sociedade,
comportamentais e econômicas. O que me leva lembrar os bancos escolares onde
aprendemos sobre a Revolução Industrial, que substituiu o trabalho da manufatura
pelo trabalho industrial. Onde durante muito tempo, ainda nos primórdios da
Revolução Industrial, no século XIX, pessoas deixaram suas casas na zona rural
para tentar a vida na zona urbana. Eis aí uma causa de desemprego: o excesso de
mão de obra. É comum encontrarmos trabalhos simples que pagam pouco e com
inúmeros candidatos às vagas, mas pode ser que não haja vaga para todos,
gerando-se desemprego, como ocorreu a época.
Vejo que nos dias de hoje no Brasil e porque não citar o mundo no geral sofremos, com as mesmas inovações técnicas que por suas vezes necessitam de mão de obra qualificada, mas há poucos profissionais que preencham os requisitos, e acabam por engrossar o rol de desempregados, com essa falta de qualificação.
JORNAL NO ALVO: Consequências do desemprego na sociedade?
Capitão Maciel: Há uma redução do número de pessoas com renda fixa, o que diminui o consumo e, consequentemente, afeta o giro da economia, criando um efeito cascata em um território (uma cidade, um estado ou um país) com alto número de desempregados o que pode significar um aumento das desigualdades sociais. Porém o último, mas não menos importante, o desemprego pode trazer sérios problemas psicológicos àqueles que estão nessa condição, como a depressão. Devendo, o desemprego deve ser encarado como um problema de saúde pública.
Taxa de desemprego: Em nível mundial, uma das responsáveis por medir-se as taxas de desemprego é a OIT. Essa organização tem a missão de “promover oportunidades para que homens e mulheres possam ter acesso a um trabalho decente e produtivo”, segundo palavras dela mesma.
De acordo com a OIT, em 2020, mais de 41 milhões de pessoas estavam desempregadas na América Latina e Caribe, o que significa, aproximadamente, 13% da PEA. Um número alarmante, pois evidencia as fragilidades econômicas que os países dessa área do globo sofrem, além de explicitar a má distribuição de renda e as desigualdades sociais.
JORNAL NO ALVO: O senhor falou de desemprego estrutural, o que
seria?
Capitão Maciel: É aquele gerado pelas mudanças na produção das
unidades industriais e pelas alterações nos hábitos de consumo da população.
Geralmente, o desemprego estrutural é ocasionado por meio de inovações
tecnológicas, especialmente pela substituição da mão de obra braçal por
equipamentos tecnológicos, lembrando que durante a história essas mudanças sempre
visaram, à diminuição dos custos produtivos e ao aumento da produtividade.
JORNAL NO ALVO: Nossa região sofre com esse fenômeno?
Capitão Maciel: Com certeza sim, assim como ocorre a substituição da produção braçal de uma indústria automotiva por uma linha de produção automatizada, por meio do uso de máquinas e equipamentos, que substituem a mão de obra humana no processo industrial. O mesmo fenômeno vem ocorrendo em relação à substituição do serviço braçal no campo por meio da sua mecanização e modernização das atividades agropecuárias, hoje uma única pessoa consegue operar várias máquinas agrícolas ao mesmo tempo.
JORNAL NO ALVO: Quais são as causas do desemprego estrutural?
Capitão Maciel: Vejo que o avanço das mudanças tecnológicas no âmbito econômico, especialmente a partir do desenvolvimento de máquinas e equipamentos, que gradativamente vem substituindo a mão de obra humana nas atividades produtivas. Logo, a modernização dos processos industriais é propulsionadora do chamado desemprego estrutural, por meio do uso acelerado de novas tecnologias de produção e consumo.
JORNAL NO ALVO: Quais as consequências do desemprego
estrutural?
Capitão Maciel: Grande consequência econômica, visto que gera um
número significativo de desempregados, que perdem acesso à renda e demais
benefícios trabalhistas, culminando assim no aumento da situação de
vulnerabilidade social. Com o aumento da fome e da violência, a perda da
qualidade de vida e até mesmo eventos de maior magnitude, como a emigração e o
adoecimento. Gera problemas de ordem física e mental nos trabalhadores, que
ficam vulneráveis mediante uma situação de substituição da sua mão de obra.
Capitão Maciel: Conforme documento produzido pelo Departamento de
Investigações sobre Narcóticos (Denarc) revela que, de cada 100 dependentes, 75
estão desempregados, arriscados a entrar no círculo vicioso da marginada e a
engrossar o contingente de mão-de-obra dos traficantes. A relação entre drogas
e desemprego, já fartamente documentada nos EUA e Europa, começa a ser medida
no Brasil, num levantamento do perfil de traficantes e dependentes.
Também existe um estudo do sociólogo Túlio Kahn para o Ilanud que é um órgão da ONU que trata da prevenção à violência, onde ele escreve que a relação com desemprego provoca aumento da delinquência, notadamente o furto. Kahn acompanhou as curvas de desemprego desde 1980. Constatou que, à menor oferta de trabalho, correspondia a elevação dos furtos. Então os dados e estudos estão aí e podem falar por si só, sobre o fenômeno que estamos vivenciando na nossa sociedade atualmente.
JORNAL NO ALVO: Devemos tudo isso a robotização na produção
industrial e no campo?
Capitão Maciel: Analiso que a globalização é a maior responsável pelas
modificações no mundo, influenciando desde a política, as relações sociais, o
desenvolvimento tecnológico, as formas de trabalho etc. Um desses fatores é a
intensa robotização nos parques industriais, com o processo se globalização
pelo mundo.
As indústrias estão, cada vez mais, introduzindo robôs no processo produtivo. Essas máquinas são programadas para executar movimentos rápidos, padronizados e eficazes, aumentando, assim, a produção final. Porém, as consequências são drásticas para os trabalhadores, pois esse fenômeno agrava o desemprego.
JORNAL NO ALVO: Como esse fenômeno de robotização se dá pelo
mundo?
Capitão Maciel: Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), aproximadamente 85 mil robôs são introduzidos anualmente nas indústrias em todo o mundo. Estima-se que existam mais de 800 mil robôs exercendo o trabalho que poderia empregar aproximadamente dois milhões de pessoas. Esse processo é motivado por diversos fatores, sendo um deles a maximização da produção: a utilização de robôs pode quadruplicar a produção em determinados segmentos industriais.
Para os detentores dos meios de produção, a utilização de máquinas é mais vantajosa, visto que, além da produção ocorrer de forma mais rápida, a folha salarial é reduzida e, consequentemente, a lucratividade é maior. Os robôs, apesar de passarem por manutenções, são mais benéficos para as empresas, pois, diferentemente dos operários, não adoecem, não tiram férias, não engravidam, não necessitam de descanso, não recebem salário, não reclamam da função, entre outros fatores.
JORNAL NO ALVO: Como falar de desemprego atualmente?
Capitão Maciel: Primeiro vamos definir “DESEMPREGO”, onde segundo o
Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, define, “como a falta de emprego;
situação em que parcela da força de trabalho não consegue obter ocupação”.
Logicamente o escrito nunca vai traduzir a angústia de quem está desempregado, mas nos mostram o que, de fato, é o desemprego. Vale lembrar que essa “ocupação” a que o dicionário se refere é aquela relação ao emprego formal propriamente dito, sendo desempregado aquele ou aquela que não possui um emprego dessa forma com carteira assinada e tem sua garantia trabalhistas garantidas.
JORNAL NO ALVO: Quais as causas do desemprego, hoje no país?
Capitão Maciel: Temos as mais variadas causas, desde mudanças
estruturais e inovações tecnológicas a crises econômicas e sociais. Podemos
observar que ao longo da história humana todas as vezes houve o surgimento de
inovações técnicas e científicas sempre, trouxe mudanças na sociedade,
comportamentais e econômicas. O que me leva lembrar os bancos escolares onde
aprendemos sobre a Revolução Industrial, que substituiu o trabalho da manufatura
pelo trabalho industrial. Onde durante muito tempo, ainda nos primórdios da
Revolução Industrial, no século XIX, pessoas deixaram suas casas na zona rural
para tentar a vida na zona urbana. Eis aí uma causa de desemprego: o excesso de
mão de obra. É comum encontrarmos trabalhos simples que pagam pouco e com
inúmeros candidatos às vagas, mas pode ser que não haja vaga para todos,
gerando-se desemprego, como ocorreu a época.
Vejo que nos dias de hoje no Brasil e porque não citar o mundo no geral sofremos, com as mesmas inovações técnicas que por sua vezes necessitam de mão de obra qualificada, mas há poucos profissionais que preencham os requisitos, e acabam por engrossar o rol de desempregados, com essa falta de qualificação.
JORNAL NO ALVO: Consequências do desemprego na sociedade?
Capitão Maciel: Há uma redução do número de pessoas com renda fixa, o que diminui o consumo e, consequentemente, afeta o giro da economia, criando um efeito cascata em um território (uma cidade, um estado ou um país) com alto número de desempregados o que pode significar um aumento das desigualdades sociais. Porém o último, mas não menos importante, o desemprego pode trazer sérios problemas psicológicos àqueles que estão nessa condição, como a depressão. Devendo, o desemprego deve ser encarado como um problema de saúde pública.
Taxa de desemprego: Em nível mundial, uma das responsáveis por medir-se as taxas de desemprego é a OIT. Essa organização tem a missão de “promover oportunidades para que homens e mulheres possam ter acesso a um trabalho decente e produtivo”, segundo palavras dela mesma.
De acordo com a OIT, em 2020, mais de 41 milhões de pessoas estavam desempregadas na América Latina e Caribe, o que significa, aproximadamente, 13% da PEA. Um número alarmante, pois evidencia as fragilidades econômicas que os países dessa área do globo sofrem, além de explicitar a má distribuição de renda e as desigualdades sociais.
JORNAL NO ALVO: O
senhor falou de desemprego estrutural, o que seria?
Capitão Maciel: É aquele gerado pelas mudanças na produção das unidades industriais e pelas alterações nos hábitos de consumo da população. Geralmente, o desemprego estrutural é ocasionado por meio de inovações tecnológicas, especialmente pela substituição da mão de obra braçal por equipamentos tecnológicos, lembrando que durante a história da humanidade essas mudanças sempre visaram, à diminuição dos custos produtivos e ao aumento da produtividade.
JORNAL NO ALVO: Nossa
região sofre com esse fenômeno?
Capitão Maciel: Com certeza sim, assim como ocorre a substituição da produção braçal de uma indústria automotiva por uma linha de produção automatizada, por meio do uso de máquinas e equipamentos, que substituem a mão de obra humana no processo industrial. O mesmo fenômeno vem ocorrendo em relação à substituição do serviço braçal no campo por meio da sua mecanização e modernização das atividades agropecuárias, hoje uma única pessoa consegue operar várias máquinas agrícolas ao mesmo tempo.
JORNAL NO ALVO: Quais
são as causas do desemprego estrutural?
Capitão Maciel: Vejo que o avanço das mudanças tecnológicas no âmbito econômico, especialmente a partir do desenvolvimento de máquinas e equipamentos, que gradativamente vem substituindo a mão de obra humana nas atividades produtivas. Logo, a modernização dos processos industriais são propulsionadores do chamado desemprego estrutural, por meio do uso acelerado de novas tecnologias de produção e consumo.
JORNAL NO ALVO: Quais as consequências do desemprego
estrutural?
Capitão Maciel: Grande consequência econômica, visto que gera um número significativo de desempregados, que perdem acesso à renda e demais benefícios trabalhistas, culminando assim no aumento da situação de vulnerabilidade social. Com o aumento da fome e da violência, a perda da qualidade de vida e até mesmo eventos de maior magnitude, como a emigração e o adoecimento. Gera problemas de ordem física e mental nos trabalhadores, que ficam vulneráveis mediante uma situação de substituição da sua mão de obra.
JORNAL NO ALVO: A elevação do desemprego está produzindo o
aumento do tráfico de drogas e assaltos?
Capitão Maciel: Conforme documento produzido pelo Departamento de
Investigações sobre Narcóticos (Denarc) revela que, de cada 100 dependentes, 75
estão desempregados, arriscados a entrar no círculo vicioso da marginada e a
engrossar o contingente de mão-de-obra dos traficantes. A relação entre drogas
e desemprego, já fartamente documentada nos EUA e Europa, começa a ser medida
no Brasil, num levantamento do perfil de traficantes e dependentes.
Também existe um estudo do sociólogo Túlio Kahn para o Ilanud que é um órgão da ONU que trata da prevenção à violência, onde ele escreve que a relação com desemprego provoca aumento da delinquência, notadamente o furto. Kahn acompanhou as curvas de desemprego desde 1980. Constatou que, à menor oferta de trabalho, correspondia a elevação dos furtos. Então os dados e estudos estão aí e podem falar por si só, sobre o fenômeno que estamos vivenciando na nossa sociedade nos dias atuais.
JORNAL NO ALVO: Devemos
tudo isso a robotização na produção industrial e no campo?
Capitão Maciel: Analiso que a globalização é a maior responsável pelas
modificações no mundo, influenciando desde a política, as relações sociais, o
desenvolvimento tecnológico, as formas de trabalho, etc. Um desses fatores é a
intensa robotização nos parques industriais, com o processo se globalização
pelo mundo.
As indústrias estão, cada vez mais, introduzindo robôs no processo produtivo. Essas máquinas são programadas para executar movimentos rápidos, padronizados e eficazes, aumentando, assim, a produção final. Porém, as consequências são drásticas para os trabalhadores, pois esse fenômeno agrava o desemprego
JORNAL NO ALVO: Como esse fenômeno de robotização se dá pelo
mundo?
Capitão Maciel: Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), aproximadamente 85 mil robôs são introduzidos anualmente nas indústrias em todo o mundo. Estima-se que existam mais de 800 mil robôs exercendo o trabalho que poderia empregar aproximadamente dois milhões de pessoas. Esse processo é motivado por diversos fatores, sendo um deles a maximização da produção: a utilização de robôs pode quadruplicar a produção em determinados segmentos industriais.
Para os detentores dos meios de produção, a utilização de máquinas é mais vantajosa, visto que, além da produção ocorrer de forma mais rápida, a folha salarial é reduzida e, consequentemente, a lucratividade é maior. Os robôs, apesar de passarem por manutenções, são mais benéficos para as empresas, pois, diferentemente dos operários, não adoecem, não tiram férias, não engravidam, não necessitam de descanso, não recebem salário, não reclamam da função, entre outros fatores.
A entrevista com o Capitão Maciel, oferece uma análise abrangente e detalhada sobre a questão do desemprego, articulando as suas causas, consequências e possíveis soluções sob uma perspectiva ampla e informada. Ao discutir o desemprego não apenas como uma estatística, mas como uma vivência que afeta profundamente a sociedade em seus diversos estratos, Maciel destaca a complexidade do tema, que se entrelaça com inovações tecnológicas, mudanças estruturais na economia, e desafios socioeconômicos atuais.
A conversa revela como o desemprego, influenciado pela robotização e pela globalização, transcende a questão da simples falta de empregos, impactando a estrutura social por meio do aumento das desigualdades, da criminalidade e de problemas de saúde pública. A visão do Capitão sobre o desemprego estrutural e suas consequências para a sociedade contemporânea chama atenção para a necessidade urgente de ações mitigadoras, que incluem a requalificação da força de trabalho e a criação de novas oportunidades de emprego que acompanhem o avanço tecnológico.
O diálogo evidencia a importância de compreender o desemprego em sua complexidade, reconhecendo os desafios que a automação e a globalização impõem ao mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, destaca a necessidade de políticas públicas eficazes que possam oferecer respostas concretas para o problema, enfatizando a educação e a formação profissional como pilares fundamentais para a adaptação à nova realidade econômica e tecnológica.
Em resumo, a entrevista com o
Capitão Maciel ressalta a urgência de abordar o desemprego como um fenômeno
multifacetado, exigindo soluções inovadoras que levem em conta as rápidas
mudanças do mundo contemporâneo. Assim, aponta para um futuro em que a tecnologia
e a inovação podem ser aliadas na criação de um mercado de trabalho mais
inclusivo e justo, desde que haja vontade política e social para enfrentar
esses desafios.


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